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"E os que estão sobre a pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria; mas, comonão têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e, na época da tentação, se desviam." - Jesus. (Lucas, 8:13.)
A palavra “pedra”, entre nós, costuma simbolizar rigidez e impedimento; no entanto, convém não esquecer que Jesus, de vez em quando, a ela recorria para significar a firmeza. Pedro foi chamado pelo Mestre, certa vez, a “rocha viva da fé”. O Evangelho de Lucas fala-nos daqueles que estão sobre a pedra, os quais receberão a palavra com alegria, mas que, por ausência de raiz, caem, fatalmente, na época das tentações. Não são poucos os que estranham essa promessa de tentações, que, aliás, devem ser consideradas como experiências imprescindíveis. Na organização doméstica, os pais cuidarão excessivamente dos filhos, em pequeninos, mas a demasia de ternura é imprópria no tempo em que necessitam demonstrar o esforço de si mesmos. O chefe de serviço ensinará os auxiliares novos com paciência e, depois, exigirá, com justiça, expressões de trabalho próprio. Reconhecemos, assim, pelo apontamento de Lucas, que nas experiências religiosas não é aconselhável repousar alguém sobre a firmeza espiritual dos outros; enquanto o imprevidente descansa em bases estranhas, provavelmente estará tranquilo, mas, se não possui raízes de segurança em si mesmo, desviar-se-á nas épocas difíceis, com a finalidade de procurar alicerces alheios. Tudo convida o homem ao trabalho de seu aperfeiçoamento e iluminação. Respeitemos a firmeza de fé, onde ela existir, mas não olvidemos a edificação da nossa, para a vitória estável.
Francisco Cândido Xavier, Da obra: Caminho, Verdade e Vida.Ditado pelo Espírito Emmanuel
Mantém os teus pensamentos no ritmo de saúde e optimismo.
A mente é dínamo poderoso.
Conforme pensares, assim atrairás respostas vibratórias equivalentes.
Quem cultiva doenças, padece sempre problemas dessa natureza.
Quem preserva a saúde, supera sempre as enfermidades.
Pensa correctamente e serás inspirado por Deus a encontrar as melhores soluções.
O pensamento edificante e bom é também uma oração sem palavras, que é sempre ouvida.
Livro: Vida Feliz
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
Confia sempre na ajuda divina.
Quando te sentires sitiado, sem qualquer possibilidade de libertação, o socorro chegar-te-á de Deus.
Nunca duvides da paternidade celeste.
Deus vela por ti e ajuda-te, nem sempre como queres, porém, da melhor forma para a tua real felicidade.
Às vezes, tens a impressão de que o auxílio superior não virá ou que chegará tarde demais.
Passado o momento grave, constatarás que o recebeste alguns minutos antes, caso tenhas perseverado na sua espera.
Livro: Vida Feliz
Joanna de Ângelis & Divaldo P. Franco
Vós sois a luz do mundo"— Jesus (Mateus, 5:14)Quando o Cristo designou os seus discípulos, como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra.A missão da Luz é clarear caminhos, varrer sombras e salvar vidas, missão essa que se desenvolve, invariavelmente, à custa do combustível que lhe serve de base.A chama da candeia gasta o óleo do pavio.A iluminação eléctrica consome a força da fábrica.E a claridade, seja do Sol ou do candelabro, é sempre mensagem de segurança e discernimento, reconforto e alegria, tranquilizando aqueles em torno dos quais resplandece.Se nos compenetramos, pois, da lição do Cristo, interessados em acompanhá-lo, é indispensável a nossa disposição de doar as nossas forças na actividade incessante do bem, para que a Boa Nova brilhe na senda de redenção para todos.Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho.Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.Sigamo-lo, auxiliando indistintamente.Não nos detenhamos em conflitos ou perquirições sem proveito."Vós sois a Luz do mundo" — exortou-nos o Mestre — e a Luz não argumenta, mas sim esclarece e socorre, ajuda e ilumina.
(De “Fonte viva”, de Francisco Cândido Xavier, pelo espírito Emmanuel)
Seja a tua palavra clarão que ampare, chama que aquece, apoio que escore e bálsamo que restaure.
Sempre que te disponhas a sair de ti mesmo para o labor da beneficência, não olvides o donativo da coragem!
Auxilia ao próximo por todos os meios correctos ao teu alcance, mas, acima de tudo, ampara o companheiro de qualquer condição ou de qualquer procedência, a sentir-se positivamente nosso irmão, tão necessitado quanto nós da paciência e do socorro de Deus.
Xavier, Francisco Cândido. Da obra: Brilhe Vossa Luz
Ditado pelo Espírito Emmanuel.
Aprendendo a sofrer, mentaliza a Cruz do Mestre e reflecte.
Ele era Senhor e fez-se escravo.
Era Grande e fez-se pequenino.
Era a Luz e não desdenhou a imersão nas sombras.
Era o Amor e suportou o assédio do ódio.
Quem o contemplasse do pó de Jerusalém, no dia da grande flagelação, decerto identificá-lo-ia à conta de um delinquente em extrema penúria.
As pregações dele haviam encontrado a sufocação do Sinédrio, sua doutrina caracterizava-se por abominável heresia, seus sonhos de confraternização pareciam aniquilados, seus beneficiários e companheiros vagueavam desiludidos e, por único testemunho de reconforto entre as chagas da morte, não encontrava senão a piedade e o entendimento de um ladrão comum...
Mas quem fixasse com Cristo a multidão, do alto da cruz, reconhecer-lhe-ia a condição de herói vitorioso, porque para o seu olhar a turba fanática não passava de vasto rebanho de irmãos necessitados de auxílio.
Ele viu naqueles que o cercavam, a ilusão da ignorância e percebeu todas as falhas dos perseguidores à maneira de moléstias do espírito, sob a máscara de dominação e falso triunfo...
E sentiu apenas a grande compaixão que lhe nasceu do espírito com a paz inalterável.
Se nos propomos a bem sofrer, procuremos anotar do cimo de nossa cruz aqueles que jornadeiam connosco, carregando madeiros mais pesados que os nossos, acendendo a fraternidade no próprio coração, a fim de que não estejamos órfãos de entendimento.
Compadece-te e auxilia a todos para o bem.
Compadece-te daquele que se acha no oásis do lar, entronizando o egoísmo e compadece-te daqueles que por não possuí-lo se comprazem na revolta!...
Compadece-te dos fortes que oprimem os fracos e dos fracos que hostilizam os fortes!...
Usa o tesouro que o Mestre te confiou por bênçãos de bondade, ao longo do caminho, e serás amparado por aquele a quem ampara, tanto quanto serás curado pelo doente a quem socorres.
Do madeiro de sacrifício, Jesus nos ensina a buscar as bem-aventuranças...
Para bem sofrer, é preciso saber amar e, amando qual o Cristo nos ama, encontraremos na Terra ou no Mais Além a luz interior que nos reunirá para sempre à perenidade da Vida Triunfante.
(De “Abrigo”, de Francisco Cândido Xavier, pelo Espírito Emmanuel)
Horas de angústia e lágrimas transponho...
Chegara, em desespero, o fim do dia.
Caminhando, ao meu lado, a Fantasia
Gritava para mim, no último sonho:
– «A Morte é o Nada e a paz sem agonia!...»
E escutando-a, cansado, os olhos ponho
Além do mundo, no cairel medonho
De horrendo caos, buscando a noite fria...
Era o anelado fim... Súplice avanço
E rogo à Morte a bênção do descanso,
Descendo, em pranto, às trevas abismais.
Mas em lugar das regiões serenas,
Sob nova tortura, encontro apenas
O abutre do remorso e nada mais...Antero de QuentalIn POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
COMO SER RECTOPorque o Senhor abomina o perverso, mas aos rectos trata com intimidade. P v. 3:32As primeiras experiências de rectidão devem ser começadas com quem deseja justiça.
Se todos fizerem o mesmo, não será necessário usarmos as mãos para disciplinar os outros.Exige o quanto puderes da tua própria conduta. A tua vida recta inspira os outros que ainda não pensaram nisso, a fazerem o mesmo que estás a tentar fazer.O justiceiro deve-se colocar sempre no lugar de quem está a querer aplicar a justiça. Dessa maneira, modificamos logo as nossas intenções.Quando queremos consertar os outros, é porque há algo errado dentro de nós.O homem recto com Jesus é sempre benevolente com os semelhantes.O Senhor está sempre junto ao perverso; ele é que não sente a Sua presença, por estar com os olhos fechados pela ignorância e os ouvidos interrompidos pela violência.O Espírito que já acordou para a educação e exercita a disciplina em si mesmo, desfruta da intimidade divina, pelo esforço que faz em alcançar o entendimento.A ideia de rectidão fica muito próxima da agressividade. Deves ter cuidado para que este trabalho não saia do campo íntimo e, mesmo assim, não deves esquecer o bom senso, para não violentar os teus próprios valores.Lembra-te de que ninguém evolui de um dia para o outro, entretanto, não deixes que essa consciencialização te leve a esquecer de esforçar na senda do teu aperfeiçoamento espiritual.Converte a tua vida em vida recta, para que a vida de Cristo encontre acesso no teu coração, doando-te a luz do entendimento.
(De "Gotas do Bem", de João Nunes Maia, pelo Espírito Carlos)
Foste, ó Cristo, no mundo, o Servidor Sublime,
Perdão e caridade, ungindo a Natureza,
Fizeste da bondade a eterna luz acesa,
Qual estrela em que o Céu se condensa e se exprime;
Ao teu halo de amor, a Terra se redime,
E, entendimento alçado à Divina Grandeza,
Recuperas o fraco, extinguindo a fraqueza,
Salvas o criminoso e consomes o crime!...
Ante as farpas do mal, dá-nos paz e brandura,
Liberta-nos do ódio a alma pobre e insegura,
Rompe-nos os grilhões das heranças medievas...
E faz-nos sentir ao peito humilde e pasmo
Que mais vale gemer sob a cruz do sarcasmo
Que vencer e sorrir sob o aplauso das trevas!...
Lobo da Costa
In POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
Abençoai sempre as vossas dificuldades e não as lastimeis, considerando que Deus nos concede sempre o melhor e o melhor tendes obtido constantemente com a possibilidade de serdes mais úteis. Quanto mais auxiliardes aos outros, mais amplo auxílio recebereis da Vida Mais Alta. Quanto mais tolerardes os contratempos do mundo, mais amparados sereis nas emergências da vida, em que permaneceis buscando paz e progresso, elevação e luz. Quanto mais liberdade concederdes aos vossos entes amados, permitindo que eles vivam a existência que escolheram, mais livres estareis para obedecer a Jesus, construindo a vossa própria felicidade. Quanto mais compreenderdes os que vos partilham os caminhos humanos, mais respeitados vos encontrareis uma vez que, quanto mais doardes do que sois em benefício alheio, mais ampla cobertura de amparo do Senhor assegurará a tranquilidade nos vossos passos. Continuemos a buscar Jesus em todos os irmãos da Terra, mas especialmente naqueles que sofrem problemas e dificuldades maiores que os nossos obstáculos, socorrendo, servindo e sempre mais felizes nos encontraremos sob as bênçãos dele, nosso Mestre e Senhor.
* * *Xavier, Francisco Cândido. Da obra: CaridadeDitado pelo Espírito Bezerra de Menezes
O apoio... A simpatia... Uma oração apenas,
Carregada de fé na Bondade Divina...
A bênção do sorriso... A página que ensina
A vencer o amargor das lágrimas terrenas...
O minuto de paz... O auxílio que armazenas,
Na supressão do mal, ao trabalho em surdina...
O bilhete fraterno... Uma flor pequenina...
O socorro... A brandura... As palavras serenas...
A esmola... A roupa usada... O copo de água fria...
O pão... O entendimento... Um raio de alegria...
Um fio de esperança... A atitude sincera...
Da migalha mais pobre à dádiva mais rica,
Tudo aquilo que dás a vida multiplica
Nos tesouros de amor da glória que te espera!...
Auta de SouzaIn POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
Segue fazendo o bem. Provavelmente não te faltarão espinhos e pedras.
Pedras, no entanto, servem nas construções e espinhos lembram rosas.
Não percas a oportunidade de auxiliar.
Se alguém te lança entraves à marcha, não te vincules à ideia do mal. Reflecte na Bondade de Deus e caminha. Não acuses ninguém. Compadece-te e age amparando.
Quem te pareça no erro, unicamente haverá estragado em si mesmo o sonho de amor e aperfeiçoamento com que nasceu.Não gastes tempo medindo obstáculos ou lastimando ocorrências infelizes.
Ouve as frases do bem que te induzem à frente e esquece tudo aquilo que se te representa por apelo à desistência ou desânimo.Alguns dos minutos das horas de que disponhas, investidos no reconforto aos irmãos emparedados no sofrimento, ser-te-ão contados por créditos de alegria e de paz. Sê a coragem dos que esmorecem e a consolação dos que perdem a esperança.
Onde encontres a presença da sombra, acende a luz da renovação.
Quando alguém te falarem tribulações do presente, destaca as possibilidades do futuro.Aos irmãos que te exponham prejuízos de agora, aponta as vantagens que virão.
Estende a própria alma na dádiva que fizeres.
Faz... Mas não faças com a intenção de te engrandecer. De tudo quanto ouças e vejas, fales ou faças, prevalece tão-somente o amor que puseres nas próprias manifestações.
Se percebes a vizinhança da tempestade, não te esqueças de que acima das nuvens reina o céu azul. E se te reconheces, dentro da noite, conserva a segurança de tua fé, recordando sempre que o amanhã trará um novo alvorecer.Extraído do Livro: PALAVRAS DO CORAÇÃO de:Chico Xavier
A humildade, por força divina, reflecte-se, luminosa, em todos os domínios da Natureza, os quais expressam, efectivamente, o Trono de Deus, patrocinando o progresso e a renovação.Magnificente, o Sol, em cada dia, oscula a face do pântano sem clamar contra o insulto da lama; a flor, sem alarde, incensa a glória do céu. Filtrada na aspereza da rocha, a água revela-se mais pura, e, após as grandes calamidades, a colcha de erva cobre o campo, a fim de que o homem recomece a lida.A carência de humildade, que, no fundo, é o reconhecimento da nossa pequenez diante do Universo, surge na alma humana qual doentio enquistamento de sentimentos, como o orgulho e a cobiça, o egoísmo e a vaidade, que se responsabilizam pela discórdia e pela delinquência em todas as direcções.Sem o reflexo da humildade, atributo de Deus no reino do “eu”, a criatura sente-se proprietária exclusiva dos bens que a cercam, despreocupada da sua condição real de espírito em trânsito nos carreiros evolutivos e, apropriando-se da existência em sentido particularista, converte a própria alma em cidadela de ilusão, dentro da qual se recusa ao contacto com as realidades fundamentais da vida.Sob o fascínio de semelhante negação, ergue azorragues de revolta contra todos os que lhe inclinem o espírito ao aproveitamento das horas, já que, sem o clima da humildade, não se desenvencilha da trama de sombras a que ainda se vincula, no plano da animalidade que todos deixamos para trás, após a auréola da razão.Possuída pelo espírito da posse exclusivista, a alma acolhe facilmente o desespero e o ciúme, o despeito e a intemperança, que geram a tensão psíquica, da qual se derivam perigosas síndromes na vida orgânica, a exprimirem-se na depressão nervosa e no desequilíbrio emotivo, na ulceração e na disfunção celular, para não nos referirmos aos deploráveis sucessos da experiência quotidiana, em que a ausência da humildade comanda o incentivo à loucura, nos mais dolorosos conflitos passionais.Quem retrata em si mesmo os louros dessa virtude quase desconhecida, aceita sem constrangimento a obrigação de trabalhar e servir, em benefício de todos, assimilando, deste modo, a bênção do equilíbrio e substancializando a manifestação das Leis Divinas, que jamais alardeiam as próprias dádivas.Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem.Cultivá-la é avançar para a frente sem se prender, é projectar o melhor de si mesmo sobre os caminhos do mundo, é olvidar todo o mal e recomeçar alegremente a tarefa do amor, cada dia...
Reflectindo-a, do Céu para a Terra, em penhor de redenção e beleza, o Cristo de Deus nasceu na palha da Manjedoura e despediu-se dos homens pelos braços da Cruz.EMMANUEL
(Pensamento e Vida, 24 - F C Xavier)
Lei
Reencarnação! Descer de mansão doce e flórea,
Ninho tecido aos sóis qual fúlgida escumilha,
Onde a vida pompeia excelsa maravilha,
E afundar-se na sombra em lodacenta escória!
Ante o ser livre e belo – ave aos cimos da glória –
Recorda o corpo escravo ascorosa armadilha;
O berço – irmão do esquife – é a furna em que se humilha
Todo sonho ideal de ventura incorpórea.
Reencarnação, porém, é a Justiça Perfeita,
A Lei que esmonda, ampara, aprimora e endireita,
Por mais o coração inquira, chore ou trema!...
Alma, entre a lama e a dor da luta em que te abrasas,
Crias teu próprio mundo e as tuas próprias asas
Para galgar, um dia, a vastidão suprema!...
Constâncio Alves
In POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
Lembra-me, Mãe querida, a glória que me deste,
A alegria do lar no lençol de cravinas,
A mesa, o livro, o pão e as canções cristalinas,
As preces de ninar, no humilde berço agreste.
Ao perder-te, no mundo, o carinho celeste,
Vendo-te as mãos em cruz, quais flores pequeninas,
Fui chorar-te, debalde, ao pé das casuarinas,
Buscando-te a presença entre a lousa e o cipreste!...
Entretanto, do Além, caminhavas comigo,
Vinhas, a cada passo, anjo piedoso e amigo,
Guardar-me o coração na fé radiante e calma;
E, quando a morte veio expor-me à noite escura,
Solucei de alegria, em preces de ternura,
Revendo-te na luz, conduzindo minha'alma!...
Abílio BarretoIn POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
O suor da paciência
Encontra a luz por remate.
Não há provação difícil,
O medo é que nos abate.
*
Conserva-te nobre e simples
Para que o bem não se torça.
Muita vez, a ingenuidade
É grande sinal de força.
*
Venceste? Trabalha sempre,
Sem detenção no passado.
O herói que vive da fama
É um vivo-morto enfeitado.
*
No que tange a confidências,
Fala a Deus em tua prece.
Quem melhor guarda um segredo
É aquele que o desconhece.
*
Cultiva a recta intenção
Na tua própria defesa.
Mesmo vítima do engano,
Sinceridade é grandeza.
*
Onde tens o coração
Reténs o próprio tesouro.
O dinheiro que escraviza
É dura algema de ouro.
*
Compra, guarda e ajunta livros,
Mas estuda, dia a dia.
Mostrar a biblioteca,
Não mostra sabedoria.
*
Perdoa e ajuda amparando
Como as terras generosas,
Que dão, em troco de estrume,
Pão e bênção, vida e rosas.
Casimiro CunhaIn POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
Para ser livre da mundana escória,
E alcançar a amplidão rútila, e bela,
Vence os rijos furores da procela
Que te freme na carne transitória.
Despe os adornos da ilusão corpórea
E abraça a estranha e rígida tutela
Da aflição que te humilha e te flagela,
Por teu caminho de esperança e glória.
Agrilhoado à cruz do próprio sonho,
Vara as trevas do báratro medonho,
Nos supremos martírios da ansiedade!...
E, ave distante dos terrestres limos,
Celebrarás na pompa de Áureos Cimos,
A conquista da Eterna Liberdade.
Cruz e Souza
In POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
O poço retratava a roseira tristonha
E pensava consigo: «Ah! terríveis chavelhas!
Espinheiro infernal, quanta maldade espelhas!...
Lâminas e punhais, infortúnios e vergonha...»
A roseira, porém, como quem serve e sonha,
Expandiu-se e lançou lindas jóias vermelhas,
Astro verde a luzir em formosas centelhas,
E o poço, a condenar, fêz-se charco e peçonha!...
A cisterna infeliz, no desvão da chapada,
Apodreceu, por fim, preguiçosa e estagnada,
Mas a planta floriu ao sol do Grande Todo.
Alma, edifica e segue, abençoa e auxilia...
Mal que procura o bem faz-se bem, dia-a-dia,
Mal que fica no mal faz-se tóxico e lodo.
António Félix
In POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
Gemia a Terra humilhada,
A noite do cativeiro
Dominava o mundo inteiro
Sob o carro da opressão;
Com mandíbulas vorazes
De loba que se subleva,
Roma, encharcada de treva,
Estendia a escravidão.
Entre as águias poderosas,
Jazia Atenas vencida,
Carpia Cartago a vida
Ligada a grilhão cruel.
Na Capadócia, na Trácia,
Na Mauritânia e no Egipto,
O povo chorava aflito,
Tragando cicuta e fel.
O frio invadira os templos,
Não mais Eros de olhar brando,
Nem bela Afrodite amando,
Nem Apolo encantador;
O Olimpo dormira em sombra,
Cessara a graça de Elêusis,
Não surgiam outros deuses,
Que não fossem do terror.
Mas quando o mal atingira
O apogeu da indiferença,
Disse Deus na altura imensa:
«Faça-se agora mais luz!»
E um livro desceu brilhando,
Para a História envilecida:
Era o Evangelho da Vida,
Sob as lições de Jesus.
Tremeram dourados sólios,
O orgulho caiu de rastros;
Arcanjos vinham dos astros
Em cânticos de louvor.
Mas ao invés da vingança,
Contra o ódio, contra a guerra,
O Livro pedia à Terra:
Bondade, Perdão e Amor...
Começara o novo Reino...
Horizontes infinitos
Descerraram-se aos aflitos,
Perdidos nos escarcéus;
Os fracos e os desditosos,
Os tristes e os deserdados,
Contemplaram, deslumbrados
Novos mundos, novos céus.
Desde então a Humanidade
Trabalha, cresce, porfia,
Ao clarão do novo dia,
Por escalar outros sóis;
E a mensagem continua,
Em sublimes resplendores,
Formando Renovadores,
Artistas, Santos e Heróis.
Espíritas, companheiros
Da grande Luz Restaurada,
Tracemos a nossa estrada,
Na glória, do amor cristão;
E servindo alegremente
Na luta, na dor, na prova,
Busquemos na Boa-Nova
O Livro da Redenção.
Castro Alves
In POETAS REDIVIVOS (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)
(Foto: Eléctrico, cidade de Lisboa-Portugal) TRABALHO
Trabalho – a santa oficina
De que a vida se engalana –
É a glória da luta humana
De que a Terra se ilumina.
Escola, templo, doutrina
De que a alegria promana,
Serviço é força que irmana,
Cria, eleva, disciplina.
Preguiça imita a gangrena,
Estraga, arrasa, envenena
Onde vazia se enfuna.
Quem vive só de poltrona
Não melhora, nem se abona
E à morte se mancomuna.
Alfredo Nora
In: “POETAS REDIVIVOS” (Francisco Cândido Xavier/Diversos Espíritos)