segunda-feira, julho 24, 2006

NO PASSEIO MATINAL...

Dionísio, o moleiro, muito cedo partiu em companhia do filhinho, na direcção de grande milheiral.

A manhã fizera-se linda.


Os montes próximos pareciam vestidos em gaze esvoaçante.

As folhas da erva, guardando, ainda, o orvalho nocturno, assemelhavam-se a caprichoso tecido verde, enfeitado de pérolas. Flores vermelhas, aqui e ali, davam a ideia de jóias espalhadas no chão.

As árvores, muito grandes, à beira da estrada, despertavam, de leve, à passagem do vento.

O Sol aparecia, brilhante, revestindo a paisagem numa coroa resplandecente.

Reinaldo, o pequeno guiado pela mão paterna, seguia num deslumbramento. Não sabia o que mais admirar: se o lençol de neblina muito alva, se o horizonte inflamado de luz. Em dado momento, perguntou, feliz:

– Papai, de quem é todo este mundo?

– Tudo pertence ao Criador, meu filho – esclareceu o moleiro, satisfeito – o Sol, o ar, as águas, as árvores e as flores, tudo, tudo, é obra d’Ele, nosso Pai e Senhor.

– Para quê tudo isto? – Continuou o petiz contente.

– A fim de recebermos esta escola divina, que é a Terra.

– Escola?

– Sim, filho – tornou o progenitor paciente –, aqui devemos aprender, no trabalho, a amar-nos uns aos outros, aprimorando sentimentos, quanto devemos aperfeiçoar o solo que pisamos, transformando colinas, planícies e pedras em cidades, fazendas, estábulos, pomares, milheirais e jardins.

Reinaldo não entendeu, de pronto, o que significava “aprimorar sentimentos”; contudo, sabia perfeitamente o que vinha a ser a remoção dum monte empedrado. Surpreso, voltou a indagar:

– Então, papai, somos obrigados a trabalhar tanto assim? Como será possível modificar este mundo tão grande?

O moleiro pensou alguns instantes e observou:

– Meu filho, já ouvi dizer que uma andorinha vagueava só, quando notou que um incêndio lavrava no seu campo predilecto, O fogo consumia plantas e ninhos. Em vão, gritou por socorro.

Reconhecendo que ninguém lhe escutava as súplicas, pôs-se rápida para o córrego não distante, mergulhando as pequenas asas na água fria e límpida; daí, voltava para a zona incendiada, sacudindo as asas molhadas sobre as chamas devoradoras, procurando apagá-las. Repetia a operação, já por muitas vezes, quando se aproximou um gavião preguiçoso, indagando-lhe com ironia:

– “Você, em verdade, acredita combater um incêndio tão grande com algumas gotas d’água?” A avezinha prestativa, porém, respondeu, calma: – “É provável que eu não possa fazer a obra toda; entretanto, sou imensamente feliz cumprindo o meu dever.

O moleiro fez uma pausa e interrogou o filho:

– Não acreditas que podemos imitar semelhante exemplo? Se todos procedêssemos como a andorinha operosa e vigilante, em pouco tempo toda a Terra estaria transformada num paraíso.
O menino calou-se, entendendo a extensão do ensinamento e, no íntimo, contemplando a beleza do quadro matinal, desde as margens do caminho até à montanha distante, prometeu a si mesmo que procuraria cumprir no mundo todas as obrigações que lhe coubessem na obra sublime do Infinito Bem.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

sexta-feira, julho 21, 2006

O ANJO DA LIMPEZA

Adélia ouvira falar em Jesus e tomara-se de tamanha paixão pelo Céu que nutria um desejo único – ser anjo para servir ao Divino Mestre.

Para isso, a boa menina fez-se humilde e crente, e, quando se não estava na escola em contacto com os livros, mantinha-se na câmara de dormir em preces fervorosas.

Cercava-se de lindas gravuras, em que os artistas do pincel lembram a passagem do Cristo entre os homens, e, em lágrimas, repetia: – “Senhor, quero ser tua! quero servir-te!...”

A Mãezinha, em franca luta doméstica, debalde a convidava aos serviços da casa.

Adélia sorria, abraçava-se a ela e reafirmava o propósito de se preparar para a companhia do Divino Amigo.

A bondosa senhora, observando que o ideal da filha só merecia louvores, deixava-a em paz com os estudos e orações de cada dia.

Meses correram sobre meses e a jovem prosseguia inalterável.

Orando sempre, suplicava ao Senhor a transformasse num anjo.

Decorridos dois anos de rogativas, sonhou, certa noite, que era visitada pelo Mestre Amoroso.

Jesus envolvia-se em vasta auréola de claridade sublime. A túnica luminosa, a cair-lhe dos ombros com graça e beleza, parecia de neve coroada de sol.

Estendendo-lhe a destra compassiva, o Cristo observou-lhe:

– Adélia, ouvi tuas súplicas e venho ao teu encontro. Desejas realmente servir-me?

– Sim, Senhor! – Respondeu a pequena, inflamada de comoção jubilosa, convencida de que o Salvador a conduziria naquele mesmo instante para o Céu.

– Ouve! – Tornou o Mestre, docemente.

Ansiosa de se pôr a caminho do paraíso, a jovem replicou, reverente:

– Diz, Senhor! Estou pronta!... Leva-me contigo, sinto-me aflita para comparecer entre os que retêm a glória de Te servir no plano celestial!...

O Cristo sorriu, bondoso, e considerou:

Não, Adélia. Nosso Pai não te colocou inutilmente na Terra. Temos enorme serviço neste mundo. Estimo as tuas preces e teus pensamentos de amor, mas preciso de alguém que me ajude a retirar o lixo e os detritos que se amontoam, não longe de tua casa. Meninos cruéis prejudicaram a rede de esgoto, a pequena distância do teu lar. Aí se concentra perigoso foco de moléstias, ameaçando trabalhadores desprevenidos, mães devotadas e crianças incautas. Vai, minha filha!

Ajuda-me a salvá-los da morte. Estarei contigo, auxiliando-te nessa meritória tarefa.

A menina preocupada quis fazer perguntas, mas o Mestre afastou-se, de leve...

Acordou sobressaltada.

Era dia.

Vestiu-se à pressa e procurou a zona indicada. Corajosa muniu-se de desinfectantes, armou-se de enxada e vassoura pediu a contribuição materna, e o foco infeccioso foi extinto.

A discípula obediente, todavia, não parou mais.

Diariamente, ao regressar da escola, punha-se a colaborar com a Mamãe, em casa, zelando também quanto lhe era possível pela higiene das vias públicas e ensinando outras crianças a serem tão cuidadosas, quanto ela mesma. Tanto trabalhou e se esforçou que, certo dia, o director do grupo escolar lhe conferiu o título de Anjo da Limpeza. Professoras e colegas comemoraram festivamente o acontecimento.

Chegada a noite, dormiu contente e sonhou que Jesus vinha encontrá-la, de novo.

Nimbado de luz, abraçou-a, com ternura, e disse-lhe brandamente:

– Abençoada sejas, filha minha! Agora, que os próprios homens te reconhecem por benfeitora, agradeço-te os serviços que me prestas diariamente. Anjo da Limpeza na Terra, serás Anjo de Luz no Paraíso.

Em lágrimas de alegria intensa, Adélia despertou, feliz, compreendendo, cada vez mais, que a verdadeira ventura reside em colaborar com o Senhor, nos trabalhos do bem, em toda parte.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

terça-feira, julho 18, 2006

O PERU PREGADOR...

Um belo peru, após conviver largo tempo na intimidade duma família que dispunha de vastos conhecimentos evangélicos, aprendeu a transmitir os ensinamentos de Jesus, esperando-lhe também as divinas promessas. Tão versado ficou nas letras sagradas que passou a propagá-las entre as outras aves.
De quando em quando, era visto a falar na sua estranha linguagem “glá-glé-gli-gló-glu”. Não era, naturalmente, compreendido pelos homens. Mas os outros perus, as galinhas, os gansos e os marrecos, bem como os patos, entendiam-no perfeitamente.
Começava o comentário das lições do Evangelho e o terreiro enchia-se logo. Até os pintainhos se aquietavam sob as asas maternas, a fim de o ouvir.
O peru, muito confiante, assegurava que Jesus-Cristo era o Salvador do Mundo, que viera alumiar o caminho de todos e que, por base de sua doutrina, colocara o amor das criaturas umas para com as outras, garantindo a fórmula de verdadeira felicidade na Terra. Dizia que todos os seres, para viverem tranquilos e contentes, deveriam perdoar aos inimigos, desculpar os transviados e socorrê-los.
As aves passaram a venerar o Evangelho; todavia, chegado o Natal do Mestre Divino, eis que alguns homens vieram aos lagos, galinheiros, currais e, depois de se referirem excessivamente ao amor que dedicavam a Jesus, laçaram frangos, patinhos e perus, matando-os, ali mesmo, ante o assombro geral.
Houve muitos gritos e lamentações, mas os perseguidores, alegando a festa do Cristo, distribuíram pancadas e golpes à vontade.
Até mesmo a esposa do peru pregador foi também morta.
Quando o silêncio se fez no terreiro, ao cair da noite, havia em toda parte enorme tristeza e irremediável angústia de coração.
As aves aflitas rodearam o doutrinador e crivaram-no de perguntas dolorosas.
Como louvar um Senhor que aceitava tantas manifestações de sangue na festa de seu natalício? Como explicar tanta maldade por parte dos homens que se declaravam cristãos e operavam tanta matança? Não cantavam eles hinos de homenagem ao Cristo? Não se afirmavam discípulos d’Ele? Precisavam, então, de tanta morte e tanta lágrima para reverenciarem o Senhor?
O pastor alado, muito contrafeito, prometeu responder no dia seguinte. Achava-se igualmente cansado e oprimido. Na manhã imediata, ante o Sol rutilante do Natal, esclareceu aos companheiros que a ordem de matar não vinha de Jesus, que preferira a morte no madeiro a ter de justiçar; que todos deviam continuar, por isso mesmo, a amar o Senhor e a servi-Lo, acrescentando que lhes cabia perdoar setenta vezes sete. Explicou, por fim, que os homens degoladores estavam anunciados no versículo quinze do capítulo sete, do Apóstolo Mateus, que esclarece: – “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores”. Em seguida, o peru recitou o capítulo cinco do mesmo evangelista, comentando as bem-aventuranças prometidas pelo Divino Amigo aos que choram e padecem no mundo.
Verificou-se, então, imenso reconforto na comunidade atormentada e aflita, porque as aves recordaram de que o próprio Senhor, para alcançar a Ressurreição Gloriosa, aceitara a morte de sacrifício igual à delas.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)
***
Que lição grande retiramos desta mensagem!?
Que, para sobrevivermos e nos alimentarmos… não necessitamos de ofender a vida de ninguém… seja quem for… pois que, em Verdade, todos estão, tal como nós, prosseguindo seu Caminho evolutivo… fazendo parte, absolutamente, da Criação Divina…
- “Não matarás”! Nos disse o Senhor!
Cumpramos, então, Seu ordenamento!
Na Natureza temos tudo, sem erro, para nossa alimentação! Basta, também aqui, saber olhar… escolher e…VIVER em PAZ!
Guerreiro da Luz

segunda-feira, julho 17, 2006

O AMIGO SUBLIME...

Foto: Chico Xavier
É sempre o amigo sublime.
Educa sem nos ferir.
Diverte, edificando-nos o carácter.
Revela-nos o passado e prepara-nos, diante do porvir.
Repete-nos o que Sócrates ensinou nas praças de Atenas.
Descobre-nos ao olhar maravilhado as civilizações que passaram. O Egipto resplandecente dos faraós, a Grécia dos filósofos e artistas, a Jerusalém dos hebreus, desfilam ante a nossa imaginação, ao seu toque espiritual.
Conta-nos o que realizou Moisés, o grande legislador.
Lembra-nos a palavra de Platão e Aristóteles.
Junto dele, aprendemos quanto sofreram nossos antepassados, na conquista do bem-estar de que gozamos presentemente.
Descreve-nos a inutilidade das guerras nascidas do ódio que devastaram o mundo. Aconselha-nos quanto à sementeira de tranquilidade e alegria. Ajuda-nos no entendimento de nós mesmos e na compreensão de nossos vizinhos. Dá-nos coragem para o trabalho, e humildade no caminho da experiência.
Sem ele, perderíamos as mais belas notícias de nossos avós e a obra da vida não alcançaria a necessária significação; passaríamos na Terra, em pleno desconhecimento uns dos outros, e a lição preciosa dos homens mais velhos não chegaria aos ouvidos dos mais novos; a religião e a ciência provavelmente não surgiriam à luz da realidade; os mais elevados ideais do espírito humano morreriam sem eco; a indústria, o comércio e a navegação não possuiriam pontos de apoio.
É o traço de união, entre os que ensinam e aprendem, entre os milénios que já se foram e o dia que vivemos agora.
É, ainda, a esse amigo abençoado que devemos a colecção de notícias e ensinamentos de Jesus, que renovam a Terra para o Reino Divino.
Esse inesquecível benfeitor do mundo é o livro edificante. Por isto, não nos esqueçamos de que todo o livro consagrado ao bem é um companheiro iluminado de nossa vida, merecendo a estima e o respeito universal.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

quinta-feira, julho 13, 2006

A GRANDE LEI!

"Mestre, qual o grande mandamento da lei?"

Jesus responde:

- "Amarás o senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu espírito.

Este o maior e primeiro mandamento.

Eis o segundo, que é semelhante ao primeiro:

- Amarás o teu próximo, como a ti mesmo.

E acrescentou: toda lei e os profetas se acham contidos nestes dois mandamentos."

***
Notas Pessoais:

Disto resulta a Sua Máxima:

- “Só pelo AMOR será salvo o Homem!”

Que cada um cumpra ou faça a sua parte!

Quando entendermos isto… teremos ascendido, sendo e vivendo FELIZES, em UNIÃO e COMUNHÃO com DEUS, terminando aí nossos Ciclos reencarnatórios!

Felizes os que acreditam… tudo fazendo para serem Luz!

segunda-feira, julho 10, 2006

APONTAMENTO!

Manifestaste indisfarçável aborrecimento, ante as observações paternas que te contrariaram os propósitos impensados.

Ontem, abusaste da alimentação, hoje pretendias uma excursão inconveniente.

Referiu-se teu pai às necessidades do espírito, com acentuada tristeza; todavia, longe de lhe entenderes a nobreza do gesto, buscaste, intempestivo, os braços maternos, na ânsia incontida de aprovação aos teus caprichos juvenis.

Foste, porém, injusto.

O jovem que recusa a orientação acertada dos mais velhos que lhe desejam o bem, procede qual lavrador leviano que reprova a boa semente.

Estimas as longas incursões no pomar, quando as laranjeiras se cobrem de frutos e quando a parreira deita uvas doces.

Acreditas, no entanto, que as árvores excelentes teriam crescido sem cuidado? Admites que a vinha não necessitou de amparo em pequena?

Todas as plantas, mormente as mais tenras, sofrem insistentes perseguições de detritos e vermes. Sem carinhosas mãos que as protejam, ser-lhes-ia impraticável o desenvolvimento e a frutificação; muitos dias de vigilância requerem do pomicultor antes de nos atenderem na chácara.

Ignoras que o mesmo acontece no campo do coração?

As más experiências de uma criança acompanham-na a vida inteira.

Diz antigo provérbio: “com o tempo, a folha da amoreira converte-se em veludoso cetim”; mas não podemos esquecer que também com o tempo as águas desamparadas e esquecidas se transformam em pântano.

Não te revoltes contra a sementeira de reflexão e bondade que o carinho paterno realiza no teu espírito.

Sobretudo, não te impressiones com a fantasiosa opinião de colegas da rua. O tempo dará corpo aos princípios inferiores ou superiores que abraçares e, enquanto o companheiro estranho ao teu lar pode ser o amigo de alguns dias, o papai ser-te-á o amigo e benfeitor de muitos anos.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

quinta-feira, julho 06, 2006

NA SEMENTEIRA DO AMOR...

Ajuda sempre, filho meu.

Pensa no bem, exalta-lhe a grandeza e intensifica-lhe os dons na Terra.

A glória mais expressiva do perdão não reside tanto na superioridade daquele que o dispensa, mas sim na soma de benefícios gerais que virão depois dele. O mais alto valor do concurso fraterno não está contido no socorro às necessidades materiais de ordem imediata mas, sim, no estímulo à confiança e à fraternidade.

Somente os espíritos em desequilíbrio extremo, fundamentados e cristalizados no mal, menosprezam as manifestações do bem.

Sei que é difícil julgar o destino de uma dádiva e, por vezes, o teu pensamento perde-se, inutilmente, em complicadas conjecturas.

“Terei dado para o bem? Terei dado para o mal?“ – Interrogas-te a ti mesmo.

Mas, se não deste quanto possuis, se apenas concedeste migalhas do tesouro que o Senhor te confiou, não poderás ajudar ao próximo, tranquilamente, em nome do mesmo generoso Senhor que tudo te emprestou no mundo, a título precário!

Claro que te não rogo favorecer o crime e a desordem visíveis ao nosso olhar. Entretanto, se te posso pedir alguma coisa, em tempo algum te negues à cooperação fraterna.

Não abandones o enfermo, receando aborrecimentos, e nem fujas ao irmão desditoso que caiu nas malhas da justiça, temendo dissabores.

Se a tua bondade não for compreendida, aprende a esperar.

Não é mais cristão aquele que serve por amor de servir, sem qualquer expectativa de remuneração?

Não te esqueças de que o Mestre foi conduzido ao madeiro da angústia, por ajudar e amar sempre...

Segue, auxiliando.

Será melhor assim, porque todos estamos sob o olhar da Vigilância Divina.

O homem que ajuda por vaidade e ostentação, quase sempre, em pouco tempo, cria para si mesmo o hábito de auxiliar, atingindo sublimes virtudes. Aquele, porém, que muito fiscaliza os beneficiados e raciocina com excesso quanto ao “dar” e ao “não dar” converte-se, não raro, em calculista da piedade, a endurecer o coração, por séculos numerosos.

Ouve! Estamos à frente do tempo infinito...

É imprescindível semear.

Não adubes o vício e o crime. Todavia, não olvides que é necessário plantar muito amor, para que o amor nos favoreça.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

terça-feira, julho 04, 2006

CONFIA E CAMINHA!

A existência na Terra é comparável a uma viagem de aperfeiçoamento, na qual necessitas seguir adiante, ao lado dos companheiros da jornada evolutiva.

Muitos desconhecem-te, no entanto, Deus sabe quem és!

Muitos menosprezam-te, contudo, Deus não te abandona!

Muitos hostilizam-te, mas Deus apoia-te!

Muitos reprovam-te, em circunstâncias difíceis, no entanto, Deus abençoa-te!

Muitos afastam-se da tua presença, todavia, Deus permanece contigo!

Alguns podem excomungar-te, mas Deus amar-te-á sempre!

À vista de semelhantes realidades, sempre que tropeços e provações apareçam na tua vida, não te acomodes à beira da estrada, nem em nenhum recanto da inércia.

Confia em Deus e caminha!

EMMANUEL
(Do livro “Luz e Vida”, F. C. Xavier)

JESUS, SABE!

Foto: MEIMEI (Espírito)

Jesus Sabe!

"Não ajudo porque esse homem não merece, é pervertido", disseste. E, de outra feita, afirmaste: "Não auxílio, essa mulher errou por que quis..."

Não te lembraste, porém, de que Jesus, antes, viu-lhes as faltas e nem por isso cortou a chance à necessária reparação.

Não percas tempo em procurar o mal; antes dedica-te a socorrer as suas vítimas.

Diante desse ou daquele acontecimento amargo,m sempre mais do que nós, Jesus sabe...

Conhece o Divino Amigo onde se esconde o verme do vício, como também onde se oculta a farpa da crueldade.

Em razão disso, não te dediques a relacionar as úlceras alheias nem a conferir os espinhos da estrada.

Se alguém prefere mergulhar na sombra, diz contigo mesmo: - Jesus sabe!

Se alguém não te escuta a palavra de amor, reflecte em silêncio: - Jesus sabe!

Se alguém surge enganado aos teus olhos, pensa, convicto, - Jesus sabe!

Se alguém deixa de cumprir o dever, observa de novo: - Jesus sabe!

Faz o bem que puderes e, entregando a justiça à harmonia da Lei, entenderás, por fim, que Jesus nos chamou para fazermos luzir a estrela da caridade onde a vida padeça o insulto da escuridão.

O desconhecido passou, de carro, enlameando-te a roupa, como se toda a rua lhe pertencesse... Compadece-te dele. Corre, desesperado, à procura de alguém que lhe socorra o filho pequeno às portas da morte.

A linda mulher, que pérolas e brilhantes enfeitam, segue ao teu lado, parecendo fingir que te não percebe a presença... Compadece-te! Ela tem os olhos embaciados de pranto e não te chegou a ver.

Jovem, admiravelmente bem apresentável, cruzou contigo, endereçando-te palavras de sarcasmo e de gozação... Compadece-te! Ele tem os passos no caminho do hospício e ainda não sabe.

O amigo que mais amas negou-te um favor... Compadece-te dele! Não lhe vês a dificuldade encravada no coração.


Companheiros do mundo!... Estarão contigo, notadamente no lar, onde guardam os nomes de pai e mãe, esposo e esposa, filhos e irmãos... Muitas vezes, levantam-se de manhã, chorosos e doloridos, aguardando um sorriso de entendimento, ou chegam ao trabalho, fatigados e tristes, esmolando compreensão.

Todos trazem consigo aflições e problemas que desconheces.

Ergue a própria alma e auxilia sempre!... Indulgência para com todos! Bondade para com todos!...

E se algum deles te fere directamente a carne ou a alma, não levantes o braço ou a voz para revidar.

Busca no silêncio a inspiração do Senhor, e o Mestre, como se estivesse descendo da cruz em que pediu perdão para os próprios verdugos, te dirá compassivo:

- Perdoa, sim! Perdoa sempre, porque, em verdade, aqueles que não perdoam também não sabem o que fazem...

***
Pelo Espírito: Meimei
Psicografia de:
Francisco Cândido Xavier
Livro:
Sementes de Amor

domingo, julho 02, 2006

TODOS SOMOS IRMÃOS

Todos somos irmãos, constituindo uma só família, perante o Senhor; mas, até alcançarmos a fraternidade suprema, estagiaremos, através de grupos diversos, de aprendizado em aprendizado, de reencarnação em reencarnação.

Temos, assim, no quotidiano, a companhia daquelas criaturas que mais entranhamente se nos associam no trabalho, chamem-se esposo ou esposa, pais ou filhos, parentes ou companheiros. E, por muito que nos impessoalizem os sentimentos, somos defrontados em família pelas ocasiões de prova ou de crises, em que nos inquietamos, gastando tempo e energia para vê-los na trilha que consideramos como sendo a mais certa. Se já conquistamos, porém, mais amplas experiências, é forçoso, a fim de os ajudar, cultivar a bondade e a paciência com que, noutro tempo, fomos auxiliados por outros.

Suportamos dificuldades e desacertos para atingirmos determinados conhecimentos, atravessamos tentações aflitivas e, em alguns casos, sofremos queda imprevista, da qual nos levantamos somente à custa do amparo daqueles que fizeram da virtude não uma alavanca de fogo, mas sim um braço amigo, capaz de compreender e de sustentar.

Lembremo-nos, sobretudo, de que os nossos entes amados são consciências livres, quais nós mesmos. Se errados, não será lançando-lhes condenação que poderemos reajustá-los; se fracos, não é aguardando deles espectáculos de força que lhes conferiremos valor; se ignorantes, não é lícito pedir-lhes entendimento, sem lhes administrarmos educação; e, se doentes, não é justo esperarmos testemunhem comportamento igual ao da criatura sadia, sem, antes, suprimir-lhes a enfermidade.

Em qualquer circunstância, é necessário observar e observar sempre que fomos transitoriamente colocados em regime de intimidade, a fim de aprendermos uns com os outros e nos ampararmos reciprocamente.

Em vista disto, quando o mal se intromete na seara doméstica, evitemos desespero, irritação, desânimo e ressentimento, que não oferecem proveito algum, e sim recorramos à prece, rogando à Providência Divina nos conduza e inspire por seus emissários; isso para que venhamos a agir, não conforme os nossos caprichos, e sim em conformidade com o amor que a vida nos preceitua, a fim de fazermos o bem que nos compete fazer.

André Luiz - (Do livro "Estude e Viva", psicografia Chico Xavier e Waldo Vieira, Espíritos Emmanuel e André Luiz)

O QUE É A VERDADE?

"Os ideais que iluminaram o meu caminho e que sempre me deram uma nova coragem para encarar a vida, foram: a bondade, a beleza e a verdade."

Albert Einstein

***
O Que é a Verdade?


Contam as lendas, que a verdade foi enviada por Deus ao mundo em forma de um gigantesco espelho.

E quando o espelho estava chegando sobre a face da terra, quebrou-se, partiu-se em inumeráveis pedaços que se espalharam por todos os lados.

As pessoas sabiam que a verdade era o espelho, mas não sabiam que ele se havia partido.

E por essa razão, as que encontravam um dos pedaços, acreditavam que tinham nas mãos a verdade absoluta, quando na realidade possuíam apenas uma pequena parte.

E quem deterá a verdade absoluta?

A verdade absoluta só Deus a possui e a vai revelando ao homem na medida em que este esteja apto para a conhecer.

Assim é que os inventores, os cientistas, os pesquisadores, vão descobrindo em cada século novas verdades que se acumulam e fomentam o progresso da humanidade.

É como se fossem juntando os pedaços do grande espelho e conseguissem abranger uma parcela maior.
E assim, a verdade é conquistada graças aos esforços dos homens e não por uma revelação bombástica sem proveito para quem a recebe.


Ademais, depois que a verdade é descoberta, ninguém pode encarcerá-la, nem guardá-la só para si.

Quem experimenta o sabor da verdade, não mais permanece o mesmo. Toda uma evolução nele se opera e uma transformação radical e libertadora é inevitável.

Por vezes a nossa cegueira não nos deixa vê-la, mas ela está em toda a parte, latente, dentro e fora do mundo e é, muitas vezes, confundida com a ilusão.

Retida na consciência humana, é, a princípio, uma chispa que as forças do auto conhecimento e do auto aperfeiçoamento transformarão numa estrela fulgurante.

A verdade emancipa a alma e completa-a. Infinita, vitaliza o microcosmo e expande-se nas galáxias.

Vibra na molécula, agiganta-se no espaço ilimitado, e encontra-se ao alcance de todos.

É perene e existe desde todos os tempos e sobreviverá ao fim das eras.

A verdade é Deus. E para a penetrar faz-se necessário diluir-se em amor como os grãos de açúcar num cálice de água em movimento.

Só agora podemos compreender o motivo pelo qual Jesus se calou quando Pilatos Lhe perguntou:

- “O que é a verdade?”
***

A verdade é luz que se expande.

Aquece sem queimar e vivifica sem produzir cansaço.

A meditação facilita-lhe o contacto, a oração aproxima o homem da sua matriz e, a caridade, propicia a convivência com ela.

A humildade abre-lhe a porta para que adentre no coração do homem e a fé facilita-lhe a hospedagem nos sentimentos.
***
Nota final:
Veja quem tiver olhos de ver e, ouça, quem tiver ouvidos de ouvir!
Guerreiro da Luz

sexta-feira, junho 30, 2006

A SENTENÇA CRISTÃ

Um juiz cristão, rigoroso nas aplicações da lei humana, mas fiel no devotamento ao Evangelho, encontrando-se no meio de uma sociedade corrompida e perversa, orou, implorando a presença de Jesus.

Porque proferia diariamente muitas sentenças condenatórias, endurecera-lhe o coração.

Atormentado, porém, entre a confiança que consagrava ao Divino Mestre e as acusações que se acreditava compelido a formular, rogou, certa noite, ao Senhor, lhe esclarecesse o espírito angustiado.

Efectivamente, sonhou que Jesus vinha desfazer-lhe as dúvidas aflitivas. Ajoelhou-se aos pés do Amoroso Amigo e perguntou:

– Mestre, que normas adoptar perante um homicida? Não estará logicamente incurso nas penas legais?

O Cristo sorriu, de leve, e respondeu:

– Sim, o criminoso está condenado a receber remédio correctivo, por doente da alma.

O juiz considerou estranha a resposta; contudo, prosseguiu indagando:

– Como agir, ante o delinquente rude, Senhor?

– Está condenado a valer-se de nosso auxílio, através da educação pelo amor paciente e construtivo – explicou Jesus, bondoso e calmo.

– Mestre, e que corrigenda aplicar ao preguiçoso?

– Está condenado a manejar a enxada ou a picareta, conquistando o pão com o suor do rosto.
– Que farei da mulher pervertida? – Interrogou o jurista, surpreso.


– Está condenada a beneficiar-se de nosso amparo fraterno, a fim de que se reerga para a elevação do trabalho e para a dignidade humana.

– Senhor, como julgar o ignorante?

– Está condenado aos bons livros.

– E o fanático?

– Está condenado a ser ouvido e interpretado com tolerância e caridade, até que aprenda a libertar a própria alma.

– Mestre, e que directrizes adoptar, ante um ladrão?

– Está condenado à oficina e à escola, sob vigilância benéfica.

– E se o ladrão é um assassino?

– Está condenado ao hospício, onde se lhe cure a mente envenenada.

O magistrado passou a meditar gravemente e lembrou-se de que deveria modificar todas as peças do tribunal, substituindo a discriminação de castigos diversos por remédio, serviço, fraternidade e educação. Todavia, não se sentindo bem com a própria consciência, endereçou ao Senhor suplicante olhar, e perguntou, depois de longos instantes:

– Mestre, e de mim mesmo, que farei?

Jesus sorriu, ainda uma vez, e disse, sereno:

– O cristão está condenado a compreender e ajudar, amar e perdoar, educar e construir, distribuir tarefas edificantes e bênçãos de luz renovadora, onde estiver.

Nesse momento, o juiz acordou em lágrimas e, de posse da sublime lição que recebera, reconheceu que, dali em diante, seria outro homem.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

quinta-feira, junho 29, 2006

A LENDA DO DINHEIRO

Conta-se que, no princípio do mundo, o Senhor entrou em dificuldades no desenvolvimento da obra terrestre, porque os homens entregaram-se a excessivo repouso.

Ninguém se animava a trabalhar. Terra solta amontoava-se aqui e ali. Minerais variados estendiam-se ao léu. Águas estagnadas apareciam em toda a parte.

O Divino Organizador pretendia erguer lares e templos, jardins-de-infância (educandários) e abrigos diversos, mas... com que braços?

Os homens e as mulheres da Terra, convidados ao suor da edificação por amor, respondiam:

– “Para quê?” E comiam frutos silvestres, perseguiam animais para os devorar e dormiam sob as grandes árvores.

Após muito reflectir, o Celeste Governador criou o dinheiro, adivinhando que as criaturas, presas da ignorância, se não sabiam agir por amor, operariam por ambição.

E assim aconteceu.

Tão logo surgiu o dinheiro, a comunidade fragmentou-se em pequenas e grandes facções, incentivando-se a produção de benefícios gerais e de valores imaginativos.

Apareceram candidatos a toda espécie de serviços.

O primeiro deles pediu ao Senhor permissão para fundar uma grande olaria. Outro requereu meios de pesquisar os minérios pesados, de maneira a transformá-los em utensílios. Certo trabalhador suplicou recursos para aproveitamento de grandes áreas na exploração de cereais. Outro, ainda, implorou empréstimo para produzir fios, de modo a colaborar no aperfeiçoamento do vestuário. Servidores de várias procedências vieram e solicitaram auxílio financeiro destinado à criação de remédios.

O Senhor a todos atendeu com alegria.

Em breve, olarias e lavouras, teares rústicos e oficinas rudimentares, improvisaram-se aqui e acolá, desenvolvendo progresso amplo na inteligência e nas coisas.

Os homens, procurando ansiosamente o dinheiro, a fim de se tornarem mais destacados e poderosos entre si, trabalhavam sem descanso, produzindo tijolos, instrumentos agrícolas, máquinas, fios, óleos, alimento abundante, agasalho, calçados e inúmeras invenções de conforto, e, assim, a terra menos proveitosa foi removida, as pedras aproveitadas e os rios canalizados convenientemente para a irrigação; os frutos foram guardados em conserva preciosa; estradas foram traçadas de norte a sul, de leste a oeste e as águas receberam as primeiras embarcações.
Toda a gente perseguia o dinheiro e guerreava pela sua posse.


Vendo, então, o Senhor que os homens produziam vantagens e prosperidade, no anseio de posse, considerou, satisfeito:

– Meus filhos da Terra não puderam servir por amor, em vista da deficiência que, por enquanto, lhes assinala a posição; todavia, o dinheiro estabelecera benéficas competições entre eles, em benefício da obra geral. Reterão provisoriamente os recursos que me pertencem e, com a sensação da propriedade, improvisarão todos os produtos e materiais de que o aprimoramento do mundo necessita. Esta é a minha Lei de Empréstimo que permanecerá assentada no Céu.

Cederei possibilidades a quantos mo pedirem, de acordo com as exigências do aproveitamento comum; todavia, cada beneficiário apresentar-me-á contas do que houver despendido, porque a Morte os conduzirá, um a um, à minha presença. Este decreto divino funcionará para cada pessoa, em particular, até que meus filhos, individualmente, aprendam a servir por amor à felicidade geral, livres do grilhão que a posse institui.

Desde então, a maioria das criaturas passou a trabalhar por dedicação ao dinheiro, que é de propriedade exclusiva do Senhor, da aplicação do qual cada homem e cada mulher prestarão contas a Ele mais tarde.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

terça-feira, junho 27, 2006

O BARRO DESOBEDIENTE

Houve um oleiro que chegou ao pátio de serviço e reparou com alegria em pequeno bloco de barro. Contemplou-o, enlevado, em face da cor viva com que se apresentava e falou:

– Vamos! Farei de ti delicado pote de laboratório. O analista alegrar-se-á com o teu concurso valioso.

Imensamente surpreendido, porém, notou que o barro retrucava:

– Oh! Não, não quero! Eu, num laboratório, tolerando precipitações químicas? Por favor, não me toques para semelhante fim!


O oleiro, espantado, considerou:


– Desejo dar-te forma por amor, não por ódio. Sofrerás o calor do forno para que te faças belo e útil... Entretanto, porque te recusas ao que proponho, transformar-te-ei numa caprichosa ânfora destinada a depósito de perfumes.


– Oh! Nunca! nunca!... – Exclamou o barro – isso não! Estaria exposto ao prazer dos inconscientes. Não estou inclinado a suportar essências, através de peregrinações pelos móveis de luxo.


O dono do serviço meditou muito na desobediência da lama orgulhosa, mas, entendendo que tudo devia fazer por não trair a confiança do Céu, ponderou:


– Bem, converter-te-ei, então, num prato honrado e robusto. Comparecerás à mesa de meu lar. Ficarás connosco e serás companheiro de meus filhinhos.


– Jamais! – Bradou o barro, na indisciplina – isso seria pesada humilhação... Transportar arroz cozido e aguentar caldos gordurosos na face? Assistir, inerme, às cenas de glutonaria em tua casa? Não, não me submetas!...


O trabalhador dedicado perdoou-lhe a ofensa e acrescentou:


– Modificaremos o programa ainda uma vez. Serás um vaso amigo, em que a límpida água repouse. Ajudarás aos sedentos que se aproximarem de ti. Muita gente abençoar-te-á a cooperação. Despertarás o contentamento e a gratidão nas criaturas!...


– Não, não! – Protestou a argila – não quero! Seria condenar-me a tempo indefinido nas cantoneiras poeirentas ou nas salas escuras de pessoas desclassificadas. Por favor, poupa-me! poupa-me!...

O oleiro cuidadoso considerou, preocupado:


– Que será de ti quando te conduzirem ao forno? Não passarás de matéria endurecida e informe, sem qualquer utilidade ou beleza. Sem sacrifício e sem disciplina, ninguém se eleva aos planos da vida superior.


O barro, todavia, recusou a advertência, bradando:


– Não aceito sacrifício, nem disciplina...


Antes que pudesse prosseguir, passou o enfornador arrebanhando a argila pronta, e o barro desobediente foi também conduzido ao forno em brasa.


Decorrido algum tempo, a lama vaidosa foi retirada e – ó surpresa! – Não era pote de laboratório, nem ânfora de perfume, nem prato de refeição, nem vaso para água e, sim, feio pedaço de terra requeimada e morta, sem qualquer significação, sendo imediatamente atirada ao pântano.


Assim acontece a muitas criaturas no mundo. Revoltam-se contra a vontade soberana do Senhor que as convida ao trabalho de aperfeiçoamento, mas, depois de levadas pela experiência ao forno da morte, transformam-se em verdadeiros fantasmas de desilusão e sofrimento, necessitando de longo tempo para retornarem às bênçãos da vida mais nobre.

In: “ALVORADA CRISTÔ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

quarta-feira, junho 21, 2006

A FALSA MENDIGA

Zezélia pedia esmolas, havia muitos anos.
Não era tão doente que não pudesse trabalhar, produzindo algo de útil, mas não se animava a enfrentar qualquer disciplina de serviço.
– Esmola pelo amor de Deus! – Clamava o dia inteiro, dirigindo-se aos transeuntes, sentada à porta de imundo telheiro.
De quando em quando, pessoas amigas, depois de lhe darem um níquel, aconselhavam:
– Zezélia, você não poderia plantar algum milho?
– Não posso... – respondia logo.
– Zezélia, quem sabe poderia você beneficiar alguns quilos de café?
– Quem sou eu, meu filho? Não tenho forças...
– Não desejaria lavar roupa e ganhar algum dinheiro? – Indagavam damas bondosas.
– Nem pensar nisto. Não aguento...
– Zezélia, vamos vender flores! – Convidavam algumas jovens que se compadeciam dela.
– Não posso andar, minhas filhas!... – Exclamava, suspirando.
– E o bordado, Zezélia? – Interrogava a vizinha, prestativa – você tem as mãos livres. A agulha é uma boa companheira. Quem sabe poderá ajudar-nos? Receberá compensadora remuneração.
– Não tenho os dedos seguros – informava, teimosa – e falta-me suficiente energia... Não posso, minha senhora...
E, assim, Zezélia vivia prostrada, sem ânimo, sem alegria.
Afirmava sentir dores por toda parte do corpo. Dava notícias da tosse, da tonteira e do resfriado com longas palavras que raras pessoas dispunham de tempo para ouvir. Além das lamentações contínuas, clamava que não bebia café por falta de açúcar, que não almoçara por não dispor de alimentação.
Tanto pediu, chorou e se queixou Zezélia que, em certa manhã, foi encontrada morta e a caridade pública enterrou-lhe o corpo com muita piedade.
Todos os vizinhos e conhecidos julgaram que a alma de Zezélia fora directamente para o Céu; entretanto, não foi assim.
Ela acordou no meio dum campo muito escuro e muito frio.
Achava-se sem ninguém e gritou, aflita, pelo socorro de Deus.
Depois de muito tempo, um anjo apareceu e disse-lhe, bondoso:
– Zezélia, que deseja você?
– Ah! – Observou, muito vaidosa – já sou conhecida na Casa Celestial?
– Há muito tempo – informou o emissário, compadecido.
A velha começou a chorar e rogou em pranto:
– Tenho sofrido muito!... Quero o amparo do Alto!...
– Mas, ouça! – Esclareceu o mensageiro – o auxílio divino é para quem trabalha. Quem não planta, nada tem a colher. Você não cavou a terra, não cuidou de plantas, não ajudou os animais, não fiou o algodão, não teceu fios, não costurou o pano, não amparou crianças, não fez pão, não lavou roupa, não varreu a casa, não cuidou de flores, não tratou nem mesmo de sua saúde e de seu corpo... Como pretende receber as bênçãos de Cima?
A infeliz observou, então:
– Nada podia fazer... eu era mendiga...
O anjo, contudo, replicou:
– Não, Zezélia! – Você não era mendiga! Você foi, simplesmente, preguiçosa. Quando aprender a trabalhar, chame por nós e receberá o socorro celeste.
Cerrou-se-lhe os olhos ao horizonte de luz e, às escuras, Zezélia voltou para a Terra, a fim de se renovar.

In ALVORADA CRISTÃ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

terça-feira, junho 20, 2006

UMA ESTRADA APENAS SUA!

Há uma estrada cujo único dono e senhor é Você: é a Estrada do Seu Pensamento.

Nela você também é o único vigilante rodoviário. Você já se aplicou algumas merecidas multas?

Note que a Estrada do Seu Pensamento pode ser percorrida do jeito que você quiser escolher.

Nela, as placas de sinalização é você quem faz e elas levá-lo-ão sempre para onde você deixar.

Perceba que lombadas e valetas também são colocadas por si, portanto você é o único responsável pelo conforto ou desconforto de suas " viagens ".

Você pode escolher as paisagens: árvores verdes e viçosas ou troncos secos e cheios de cupins.

Poderá, ainda, entrar por túneis ricamente iluminados ou pelos escuros e sombrios, pondo-se à mercê de atropelamentos, trombadas e graves acidentes.

Nela há também os passantes que é você quem escolhe, e eles poderão acompanhá-lo em suaves e repousantes passeios ou encher seu caminho das mais variadas pontiagudas e perigosas pedras.

Observe as rectas, as curvas, os atalhos, as bifurcações e os bloqueios que é você mesmo quem coloca.

A Estrada do Seu Pensamento não é de mão única, pois você pode retornar sempre que decidir.

Lembre-se que há pontos onde pode começar a insanidade ou a verdadeira saúde mental, a tristeza ou a alegria, a bênção ou a maldição, um recomeço, uma Nova Vida ou a queda para um amargo fim.

Aonde é que você quer chegar?

Há todo tipo de operários nessa estrada,


Mas você é o Chefe!

( Silvia Schmidt )

O AMOR...

Ainda que eu falasse línguas, as dos homens e as dos anjos, se eu não tivesse amor, seria como um bronze que soava como um címbalo que tine.

Ainda que eu tivesse o dom da profecia, o conhecimento de todos os mistérios e de toda a ciência, ainda que tivesse toda a fé, a ponto de transportar montanhas, se não tivesse amor, eu nada seria.

Ainda que eu distribuísse todos os meus bens aos famintos, ainda que eu entregasse o meu corpo às chamas, se não tivesse amor, isso nada me adiantaria.

O amor é paciente, o amor é prestativo, não é invejoso, não se ostenta, não se enche de orgulho.

Nada faz de inconveniente, não procura o seu próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor.

Não se alegra com a injustiça, mas se regozija com a verdade, tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.

Quanto às profecias, desaparecerão.

Quanto às línguas, cessarão.

Quanto à ciência, também desaparecerá.

Pois o nosso conhecimento é limitado, e limitada é a nossa profecia.

Mas quando vier a perfeição, o que é limitado desaparecerá.

Quando eu era criança, falava como criança, pensava como criança, raciocinava como criança.

Depois que me tornei homem, fiz desaparecer o que era próprio de menino.

Agora vemos em espelho e de maneira confusa, mas, depois, veremos face a face.

Agora o meu conhecimento é limitado, mas, depois, conhecerei como sou conhecido.

Agora, portanto, permanecem fé, esperança, amor.

A maior delas porém... é o amor.
***
Carta de Paulo Apóstolo aos Coríntios, Cap. 13
Seja a tua palavra clarão que ampare, chama que aquece, apoio que escore e bálsamo que restaure.

Da obra: “Brilhe Vossa Luz”

De F. C. Xavier, pelo espírito Emmanuel

sexta-feira, junho 16, 2006

O PIOR INIMIGO

Um homem, admirável pelas qualidades de trabalho e pelas formosas virtudes do carácter, foi visto pelos inimigos da Humanidade que conhecemos por Ignorância, Calúnia, Maldade, Discórdia, Vaidade, Preguiça e Desânimo, os quais tramaram, entre si, agir contra ele, conduzindo-o à derrota.

O honrado trabalhador vivia feliz, entre familiares e companheiros, cultivando o campo e rendendo graças ao Senhor Supremo pelas alegrias que desfrutava no contentamento de ser útil.

A Ignorância começou a cogitar da perseguição, apresentando-o ao povo como mau observador das obrigações religiosas. Insulava-se no trato da terra, cheio de ambições desmedidas para enriquecer à custa do alheio suor. Não tinha fé, nem respeitava os bons costumes.

O lavrador activo recebeu as notícias do adversário que operava, de longe, sorriu calmo e falou com sinceridade:

– A Ignorância está desculpada.

Surgiu, então, a Calúnia e denunciou-o às autoridades por espião de interesses estranhos. Aquele homem vivia, quase sozinho, para melhor se comunicar com vasta quadrilha de ladrões. O serviço policial tratou de minuciosas averiguações e, ao término do inquérito vexatório, a vítima afirmou sem ódio:

– A Calúnia estava enganada.

E trabalhou com dobrado valor moral.

Logo após, veio a Maldade, que o atacou de mais perto. Principiou a ofensiva, incendiando-lhe o campo. Destruiu-lhe milheirais enormes, prejudicou-lhe a vinha, poluiu-lhe as fontes. Todavia, o operário incansável, reconstruindo para o futuro, respondeu, sereno:

– Contra as sombras do mal, tenho a luz do bem.

Reconhecendo os perseguidores que haviam encontrado um espírito robusto na fé, instruíram a Discórdia que passou a assediá-lo dentro da própria casa. Provocações cercaram-no de todos os lados e, a breve tempo, irmãos e amigos da véspera relegaram-no ao abandono.

O servo diligente, dessa vez, sofreu bastante, mas ergueu os olhos para o Céu e falou:

– Meu Deus e meu Senhor, estou só, no entanto, continuarei agindo e servindo em Teu Nome. A Discórdia será por mim esquecida.

Apareceu, então, a Vaidade que o procurou nos aposentos particulares, afirmando-lhe:

– És um grande herói... Venceste aflições e batalhas! Serás apontado à multidão na auréola dos justos e dos santos!...

O trabalhador sincero repeliu-a, imperturbável:

– Sou apenas um átomo que respira. Toda a glória pertence a Deus!

Ausentando-se a Vaidade com desapontamento, entrou a Preguiça e, acariciando-lhe a fronte com mãos traiçoeiras, afiançou:

– Teus sacrifícios são excessivos... Vamos ao repouso! Já perdeste as melhores forças!...

Vigilante, contudo, o interpelado replicou sem hesitar:

– Meu dever é o de servir em benefício de todos, até ao fim da luta.

Afastando-se a Preguiça vencida, o Desânimo compareceu. Não atacou de longe, nem de perto. Não se sentou na poltrona para conversar, nem lhe cochichou aos ouvidos. Entrou no coração do operoso lavrador e, depois de se instalar lá dentro, começou a perguntar-lhe:

– Esforçar-se para quê? Servir porquê? Não vês que o mundo está repleto de colaboradores mais competentes? Que razão justifica tamanha luta? Quem te mandou nascer nesse corpo? Não foi a determinação do próprio Deus? Não será melhor deixar tudo por conta de Deus mesmo? Que esperas? Sabes, acaso, o objectivo da vida? Tudo é inútil... não te lembras de que a morte destruirá tudo?

O homem forte e valoroso, que triunfara de muitos combates, começou a ouvir as interrogações do Desânimo, deitou-se e passou cem anos sem se levantar...

In ALVORADA CRISTÃ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio)

quinta-feira, junho 15, 2006

O CARNEIRO REVOLTADO...

Certo carneiro muito inteligente, mas indisciplinado, reparou os benefícios que a lã espalhava em toda parte, e, desde então, julgou-se melhor que os outros seres da Criação, passando a revoltar-se contra a tosquia.

– Se era tão precioso – pensava –, porque aceitar a humilhação daquela tesoura enorme?

Experimentava intenso frio, de tempos a tempos, e, despreocupado das ricas rações que recebia no redil, detinha-se apenas no exame dos prejuízos que supunha sofrer.

Muito amargurado, dirigiu-se ao Criador, exclamando:

– Meu Pai, não estou satisfeito com a minha pelagem. A tosquia é um tormento... Modifica-me, Senhor!...

O Todo-Poderoso indagou, com bondade:

– Que desejas que eu faça?

Vaidosamente, o carneiro respondeu:

– Quero que a minha lã seja toda de ouro.

A rogativa foi satisfeita. Contudo, assim que o orgulhoso ovino se mostrou cheio de pêlos preciosos, várias pessoas ambiciosas atacaram-no sem piedade. Arrancaram-lhe, violentamente, todos os fios, deixando-o em chagas.

O infeliz, a lastimar-se, correu para o Altíssimo e implorou:

– Meu Pai, muda-me novamente! Não posso exibir lã dourada, encontraria sempre salteadores sem compaixão.

O Sábio dos Sábios perguntou:

– Que queres que eu faça?

O animal, tocado pela mania de grandeza, suplicou:

– Quero que a minha lã seja lavrada em porcelana primorosa.

Assim foi feito. Entretanto, logo que tornou ao vale, apareceu no céu enorme ventania, que lhe quebrou todos os fios, dilacerando-lhe a carne.

Regressou, aflito, ao Todo-Misericordioso e queixou-se:

– Pai, renova-me!... A porcelana não resiste ao vento... estou exausto...

Disse-lhe o Senhor:

– Que desejas que eu faça?

– A fim de não provocar os ladrões e nem me ferir com porcelana quebrada, quero que a minha lã seja feita de mel.

O Criador satisfez o pedido. Todavia, logo que o pobre se achou no redil, bandos de moscas asquerosas cobriram-no em cheio e, por mais corresse campo afora, não evitou que elas lhe sugassem os fios adocicados.

O mísero voltou ao Altíssimo e implorou:

– Pai, modifica-me... as moscas deixaram-me em sangue!

O Senhor indagou, de novo, com inexaurível paciência:

– Que queres que eu faça?

Dessa vez, o carneiro pensou mais tempo e considerou:

– Suponho que seria mais feliz se tivesse minha lã semelhante às folhas de alface.

O Todo-Bondoso atendeu-lhe mais uma vez a vontade e o carneiro voltou à planície, na caprichosa alegria de parecer diferente. No entanto, quando alguns cavalos lhe puseram os olhos, não conseguiu melhor sorte, Os equinos prenderam-no com os dentes e, depois de lhe comerem a lã, abocanharam-lhe o corpo.

O carneiro correu na direcção do Juiz Supremo, gotejando sangue das chagas profundas, e, em lágrimas, gemeu, humilde:

– Meu Pai, não suporto mais!...

Como soluçasse longamente, o Todo-Compassivo, vendo que ele se arrependera com sinceridade, observou:

– Reanima-te, meu filho! Que pedes agora?

O infeliz replicou, em pranto:

– Pai, quero voltar a ser um carneiro comum, como sempre fui. Não pretendo a superioridade sobre meus irmãos. Hoje sei que os meus tosquiadores de outro tempo são meus verdadeiros amigos. Nunca me deixaram em feridas e sempre me deram de comer e beber, carinhosamente... Quero ser simples e útil, qual me fizeste, Senhor!...

O Pai sorriu, bondoso, abençoou-o com ternura e falou:

– Volta e segue teu caminho em paz. Compreendeste, enfim, que meus desígnios são justos. Cada criatura está colocada, por minha Lei, no lugar que lhe compete e, se pretendes receber, aprende a dar.

Então o carneiro, envergonhado, mas satisfeito, voltou para o vale, misturou-se com os outros e daí por diante foi muito feliz.

In ALVORADA CRISTÃ (Francisco Cândido Xavier/Neio Lúcio
)